Consequências da falta de segurança e higiene na ventilação Industrial

Não é segredo que a ventilação industrial está intimamente ligada à segurança e higiene no local de trabalho. A melhor maneira de as empresas garantirem um ambiente de trabalho saudável é projetar e instalar sistemas de ventilação mecânica confiáveis ​​e eficientes que atendam às necessidades específicas de suas operações e circunstâncias, tendo em mente que as normas pertinentes são rigorosas e bastante detalhadas. Além disso, o controle e a melhoria da qualidade do ar em ambientes industriais têm repercussões positivas na produtividade. Portanto, vale a pena explorar esse tema mais a fundo.


Como a ventilação industrial afeta a segurança e a higiene

Em instalações industriais, as atividades frequentemente envolvem o uso de compostos e substâncias altamente tóxicas. O manuseio desses produtos, juntamente com a complexidade dos próprios processos de produção industrial, leva à liberação de poluentes — na forma de vapores, gases e odores — no ambiente fechado. Isso geralmente é acompanhado por um aumento de temperatura. Claramente, todas essas circunstâncias comprometem o conforto térmico e a saúde desses locais de trabalho.

Somente com a instalação de um sistema de ventilação industrial adequado é possível garantir a segurança e a higiene desses trabalhadores. De fato, a ventilação inadequada é responsável por mais de 40% dos problemas de qualidade do ar em instalações industriais. As consequências diretas são variadas e graves. Entre os aspectos da saúde mais afetados pela presença de substâncias tóxicas estão, naturalmente, doenças respiratórias como asma ocupacional e pneumonite de hipersensibilidade.

No entanto, também é comum que temperaturas e umidade excessivas no ambiente de trabalho causem desconforto, o qual é agravado pelas exigências físicas da maioria dos trabalhos industriais. Em ambientes industriais inseguros e tóxicos, cãibras devido à desidratação causada pela transpiração, erupções cutâneas, exaustão geral e insolação são comuns.

As consequências para a produtividade

Sem dúvida, as repercussões da ventilação industrial na segurança e higiene que mais preocupam empregadores e autoridades são as relacionadas à saúde, já discutidas anteriormente. No entanto, não podemos ignorar como um ambiente adequadamente ventilado influencia a produtividade de uma empresa. Como exemplo, listamos abaixo alguns aspectos que são diretamente beneficiados:

Reduz o absenteísmo por motivos de saúde. Lembre-se que respirar ar poluído causa não apenas doenças respiratórias, mas também tonturas, dores de cabeça e exaustão.

Reduz a necessidade de rotatividade de pessoal, justamente porque a maioria dos trabalhadores está em ótimas condições para desempenhar suas funções. Isso é especialmente significativo em empresas onde, devido à natureza do trabalho, são necessários operadores altamente qualificados e, portanto, difíceis de substituir.

Evita penalidades das autoridades, que, em alguns casos, não são apenas financeiras, mas podem levar ao fechamento temporário ou permanente da empresa. Aumenta a produtividade dos trabalhadores porque, sentindo-se mais confortáveis ​​e seguros no ambiente de trabalho, eles desempenham suas atividades com maior e melhor disposição.

Aspectos regulamentados pela legislação de ventilação industrial

A legislação brasileira sobre ventilação industrial serve para proteger a saúde e a segurança dos trabalhadores. Pense nisso como um conjunto de regras para garantir que o ar nas fábricas e locais de trabalho seja limpo e confortável.

As principais regras vêm de dois lugares:

  1. Normas do Governo (NRs – Normas Regulamentadoras): São leis do Ministério do Trabalho que definem o que as empresas precisam fazer.
  2. Normas Técnicas (ABNT): São guias criados por especialistas que mostram como projetar e instalar os sistemas de ventilação corretamente.

Principais Normas Regulamentadoras (NRs) e o que elas significam:

  • NR 15 (Atividades Insalubres): Diz respeito a ambientes de trabalho que podem fazer mal à saúde. Ela estabelece limites para calor excessivo e certos produtos químicos no ar. A ventilação é fundamental para garantir que esses limites não sejam ultrapassados.
  • NR 17 (Ergonomia): Foca no conforto do trabalhador para que ele possa realizar suas tarefas sem prejudicar a saúde. Uma boa ventilação é crucial para manter um ambiente térmico agradável, o que afeta diretamente o bem-estar e a produtividade.
  • NR 9 (Gerenciamento de Riscos): Pede que as empresas identifiquem e controlem todos os riscos no ambiente de trabalho. A ventilação é uma ferramenta importante para neutralizar riscos à saúde.
  • NR 33 (Espaços Confinados): Trata de locais apertados e de difícil acesso (como tanques ou dutos). Antes e durante o trabalho nesses lugares, é obrigatório monitorar e usar ventilação para garantir que haja oxigênio suficiente e que não existam gases tóxicos.

Normas Técnicas (ABNT) Importantes:

  • NBR 14518: É específica para a ventilação e exaustão em cozinhas profissionais. Ajuda a remover fumaça e odores, e a manter um bom conforto térmico.
  • NBR 16069: Guia para o projeto e instalação de sistemas de ventilação e exaustão industrial em geral.
  • NBR 1657: Usada para calcular a quantidade de ar que precisa ser trocada em um ambiente (como espaços confinados) para garantir a segurança.

Requisitos Gerais Importantes:

Conforto Térmico: Os sistemas de ventilação devem garantir que a temperatura e a umidade do ar estejam dentro de limites agradáveis e seguros para os trabalhadores, seguindo a NR 17 e outras normas.

Prioridade da Proteção Coletiva: É sempre preferível usar soluções que protejam todos os trabalhadores de uma vez (como a ventilação) do que apenas dar equipamentos de proteção individual (EPIs, como máscaras) para cada um.

Ventilação Local Exaustora (VLE): São sistemas de exaustão que “sugam” o ar ruim (como fumaças de solda ou poeira) bem no local onde ele é gerado, antes que se espalhe pelo ambiente.

Umidade do ar

Ao analisar o fator umidade em espaços industriais, é necessário diferenciar e levar em consideração dois conceitos para que as medições sejam realmente eficazes: por um lado, a umidade relativa do ambiente, ou seja, a relação entre a umidade presente no ar e a quantidade que existiria em um ambiente totalmente saturado de vapor de água; por outro lado, a umidade absoluta expressa como o peso do vapor de água por unidade de volume do espaço ocupado (gramas/metro cúbico).

Velocidade do ar

Este fator de velocidade deve ser analisado considerando as atividades realizadas pelos trabalhadores e suas vestimentas. A temperatura e a intensidade da corrente de ar também influenciam na determinação da velocidade média do ar em um edifício industrial.

Movimento do Ar

A sensação de calor experimentada por cada indivíduo também é influenciada por mudanças no movimento do ar. O aumento do movimento do ar leva a uma diminuição proporcional na temperatura corporal, cujo nível pode ser observado nos valores da tabela a seguir:

  • Velocidade 0,3 m/s: diminuição de 1°C
  • Velocidade 0,7 m/s: diminuição de 2°C
  • Velocidade 2,2 m/s: diminuição de 5°C
  • Velocidade 4,5 m/s: diminuição de 7°C

Temperatura do Ar

Medir a temperatura real de um espaço industrial é complexo, pois existem diferentes métodos que medem diferentes conceitos de temperatura do ar (principalmente temperatura de bulbo seco ou úmido, ponto de orvalho ou temperatura de globo). Em última análise, o que importa é a temperatura efetiva, um índice arbitrário estabelecido que indica o grau de frio ou calor sentido pelo corpo humano, dependendo da umidade, da temperatura e da circulação do ar. Essa escala de conforto térmico foi estabelecida como resultado de um teste experimental com um grupo real de pessoas, concluindo que o conforto térmico situa-se entre 22 °C ± 2 °C para períodos frios e 24,5 °C ± 1,5 °C para períodos quentes. Não há dúvida sobre as implicações significativas da ventilação industrial para a segurança e higiene dos trabalhadores. Além disso, ela afeta inegavelmente a produtividade e, consequentemente, o sucesso final de um projeto empresarial, justificando a implementação de todas as medidas necessárias para garantir a eficácia do sistema instalado.

Influência da ventilação na produtividade do sua equipe

Nos últimos tempos, a expressão “respirar mal ambiente no trabalho” ganhou um sentido muito mais relevante. Antes da experiência pandémica, o aumento da incidência de doenças respiratórias, alérgicas, cutâneas ou visuais devido a uma má qualidade do ar nos centros laborais já havia posto o foco na necessidade de garantir uma ventilação correta no trabalho.

Vamos analisar as consequências diretas que têm uma má ventilação na produtividade, especialmente quando não se garantem as condições ideais de temperatura no trabalho.

Como a ventilação afeta o ambiente de trabalho

Sem dúvida, a ventilação no local de trabalho impacta a saúde dos funcionários, especialmente considerando que o ambiente de trabalho é um dos espaços fechados onde as pessoas passam a maior parte do tempo ao longo de suas vidas. Para as empresas, a má qualidade do ar afeta a produtividade, aumentando o número de licenças médicas. Mas essa não é a única maneira pela qual ela impacta o desempenho no trabalho.

Mesmo que os funcionários concluam sua jornada de trabalho, a produtividade diminui se houver má ventilação no local de trabalho. Isso foi demonstrado por inúmeros estudos e pesquisas conduzidos por universidades renomadas.

Um desses estudos, publicado na Harvard Business Review e liderado pelo Professor Joseph Allen, concluiu que as reações dos trabalhadores foram observadas após mudanças que afetaram significativamente a qualidade do ar. Especificamente, a proporção de COVs (Compostos Orgânicos Voláteis) e CO2 (Monóxido de Carbono) no ar foi modificada para detectar as mudanças cognitivas resultantes e, consequentemente, o impacto na produtividade. Três funções foram mais afetadas quando a qualidade do ar mudou:

  • Tomada de decisões.
  • Desenvolvimento de estratégias.
  • Planejamento.

Efeitos da temperatura no trabalho

Tendo mencionado anteriormente o estudo de Allen, voltamo-nos agora para o Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional (INSHT) para discutir a influência específica da temperatura no local de trabalho e seus efeitos na produtividade. O ambiente térmico ideal em um escritório deve estar entre 17 e 27 graus Celsius, caindo para entre 14 e 24 graus Celsius em locais de trabalho onde se realizam tarefas leves.

Em relação à temperatura no local de trabalho, a forma como ela afeta a produtividade pode ser resumida nos seguintes aspectos principais:

Perda de concentração como resultado de dores de cabeça ou possível queda da pressão arterial.

Redução do ritmo de trabalho devido ao aumento da fadiga causada pelo calor.

Dificuldade de coordenação do trabalho em equipe, uma vez que o humor é afetado pelo calor, dificultando o estabelecimento de um ambiente colaborativo e participativo entre os trabalhadores.

Ventilação adequada no local de trabalho e sua influência na produtividade

Sem dúvida, para evitar o estresse térmico no ambiente de trabalho, a melhor solução é instalar um sistema de ventilação adequado às condições de trabalho e que garanta um controle climático apropriado. Vale lembrar que a ventilação no local de trabalho não serve apenas para renovar o ar, mas também para regular a umidade e filtrar poluentes. Em outras palavras, ela atua na origem dos principais fatores que contribuem para a queda de produtividade. Nesse sentido, é importante abordar o projeto de ventilação do local de trabalho com uma estratégia que considere três possíveis etapas de ação: Garantir a renovação do ar e uma temperatura confortável. Buscar a máxima eficiência energética, para a qual um sistema de resfriamento passivo pode ser muito útil em alguns casos; ou seja, resfriar o ambiente com água acima do ponto de orvalho. Utilizar o resfriamento a baixa temperatura como último recurso, já que ele produz condensação nos emissores de resfriamento, o que reduz a eficiência do sistema de ventilação. Implementar uma ventilação adequada no local de trabalho não é apenas uma questão de responsabilidade para com os trabalhadores, mas também um investimento nos lucros da empresa.

fonte: https://www.solerpalau.com/blog/es-es/influencia-de-la-ventilacion-en-la-productividad-de-tu-equipo/

Sistemas de ventilação para prevenir a alergia a ácaros

Ventilação natural vs. ventilação mecânica

Ao realizar a ventilação do edifício, optar por sistemas de ventilação natural não permite garantir nem que se produza um nível de ventilação adequado nem que este seja demasiado elevado.

Ambas as condições de funcionamento gerarão problemas para pessoas com alergia a ácaros da poeira ou com patologias que piorarão devido a essa presença.

Sistemas de ventilação de duplo fluxo

O uso de um sistema de ventilação de duplo fluxo com uma operacionalidade adequada e garantia de renovação de ar é fundamental para evitar níveis de ventilação baixos ou excessivos.

Esses sistemas de ventilação, ao contar com insuflação através de dutos e captação do ar exterior conduzida, permitem que sejam instalados sistemas para controle de entrada de partículas e contaminantes biológicos, neste caso ácaros.

Sistemas de filtragem e desumidificação

Os ácaros da poeira estão presentes, de forma natural, no ambiente, de modo que serão introduzidos no interior do edifício com a problemática associada.

Os sistemas de filtragem permitem reduzir os níveis de ácaros neste ar de ventilação, melhorando notavelmente a qualidade do ar interior, com o consequente benefício para a saúde dos afetados por essa alergia a ácaros.

No caso de zonas com elevada umidade relativa ambiental, como por exemplo em regiões costeiras, pode-se tornar necessário o uso de sistemas de desumidificação no interior do edifício, com o objetivo de manter os níveis de umidade dentro dos parâmetros exigidos.

Sistemas de climatização recomendados

Os sistemas de climatização que permitem reduzir e controlar a presença de ácaros, especialmente quando os ácaros causam alergia e seus sintomas afetam os ocupantes, no caso de residências, são os baseados em água (radiadores ou piso radiante, fancoils) e os elétricos.

Quanto aos equipamentos de ar condicionado, é preciso considerar que eles produzem condensação, portanto, se não forem mantidos de forma exaustiva e adequada, algo difícil no âmbito residencial, podem levar à proliferação e acumulação de ácaros. Esses ácaros serão, portanto, insuflados para o interior do edifício e, além disso, no próprio ar, o que agrava as manifestações alérgicas.

Considerações especiais em edifícios comunitários

O problema da alergia a ácaros e outros contaminantes presentes no ar se agrava em edifícios de uso comunitário, devido ao fato de que, habitualmente, não são seguidos os critérios de manutenção recomendados para os sistemas de ar condicionado, em termos de limpeza, desinfecção e tratamento de filtros, dutos e grelhas, resultando em uma acumulação excessiva desses contaminantes nessas instalações.

Nas residências, a realização de aspirações frequentes no interior, com aspiradores com filtros especiais para partículas (HEPA), permite capturar e eliminar, de forma simples, os ácaros que já se encontram ou que proliferam no interior da moradia, reduzindo assim os efeitos quando os ácaros causam alergia aos ocupantes.

Quando se fala em umidade

Quando se fala em eficiência energética no lar, tende-se a prestar atenção a parâmetros que não levam em conta o nível de qualidade do ar interior, um elemento essencial para a saúde das pessoas. Conseguir um nível de umidade ideal em casa desempenha um papel muito importante para manter níveis ótimos de qualidade do ar interior, o que repercute diretamente no nosso bem-estar diário e na conservação adequada da moradia.

O que é a umidade ambiental?

A umidade ambiental refere-se à presença de vapor de água no ar. Este é um dos parâmetros fundamentais para determinar a qualidade do ambiente interior nos edifícios. Podemos medi-la como umidade absoluta (quantidade real de vapor de água no ar) ou, mais comumente, como umidade relativa, que expressa a porcentagem de saturação do ar com vapor de água em relação à quantidade máxima que poderia conter a uma temperatura determinada.Em nossos lares, a umidade ambiental pode ser afetada por múltiplos fatores como a respiração e transpiração dos ocupantes, o preparo de alimentos, o uso do chuveiro, a secagem de roupas em ambientes internos e, inclusive, as próprias características construtivas do edifício. Um controle adequado deste parâmetro é essencial tanto para o nosso conforto quanto para a salubridade do espaço.

Qual é a umidade ideal em casa?

Para estabelecer condições ótimas de conforto dentro da moradia, não se leva em conta apenas a umidade relativa, mas também a temperatura seca do ar, a temperatura radiante média dos fechamentos do recinto e a velocidade média do ar. Inclusive, são avaliadas a atividade metabólica e o grau de vestimenta das pessoas que se encontram dentro do cômodo.

As condições interiores ótimas dos edifícios variam da estação de inverno para o verão. Segundo os parâmetros estabelecidos no RITE (Regulamento de Instalações Térmicas em Edifícios), a umidade ótima em casa deve situar-se:

  • No inverno: entre 40% e 50% de umidade relativa, com temperaturas de 21-23°C
  • No verão: entre 45% e 60% de umidade relativa, com temperaturas de 23-25°C

Manter esses níveis de umidade ideal em casa não apenas proporciona uma sensação de conforto, mas também previne problemas de saúde respiratória e evita danos estruturais como o aparecimento de mofo, deterioração de materiais e problemas de condensação em paredes e janelas.

Como identificar problemas de umidade no lar

Existem sinais claros que indicam níveis inadequados de umidade em casa:

  • Umidade excessiva: condensação em janelas e superfícies frias, manchas de umidade em paredes ou tetos, aparecimento de mofo, cheiro de umidade, sensação de ambiente pesado e dificuldade para respirar.
  • Ambiente muito seco: pele e lábios secos, irritação ocular, problemas respiratórios, aumento da eletricidade estática, rachaduras em móveis de madeira e parquet.

Como medir a umidade do ar

Para medir com precisão a umidade do ar, são utilizados higrômetros, equipamentos que, nas últimas décadas, evoluíram consideravelmente, a ponto de terem atualmente um tamanho similar ao de uma memória USB e serem totalmente digitalizados. Esse desenvolvimento tecnológico reflete a crescente importância do controle da umidade em nosso ambiente diário.

Os higrômetros mais modernos não apenas medem a temperatura e a umidade relativa (com data e horários de registros), mas também calculam parâmetros complementares como o ponto de orvalho. Muitos modelos permitem até 17.000 registros, armazenando informações suficientes para fazer um acompanhamento contínuo de um cômodo específico durante um longo período de tempo.

A localização correta do higrômetro é importante: deve ser colocado longe de fontes de calor, frio ou umidade direta, e preferencialmente na altura da respiração dos ocupantes, para obter medições representativas do ambiente que realmente experimentamos.

Soluções práticas para regular a umidade em casa

Existem diversas estratégias para manter a umidade em níveis ótimos, embora nem todas ofereçam a mesma eficácia. Analisemos as principais opções disponíveis, começando pela mais tradicional, mas menos efetiva.

Ventilação natural: uma opção insuficiente

Embora abrir as janelas para ventilar a casa tenha sido tradicionalmente a forma mais comum de renovar o ar, a ventilação natural é claramente insuficiente para manter uma umidade adequada em casa de forma constante. Isso se deve a vários fatores:

  • Depende completamente das condições meteorológicas externas
  • É difícil de controlar e regular segundo as necessidades específicas
  • É ineficaz em edifícios modernos com alta estanqueidade
  • Representa uma importante perda energética, especialmente no inverno e verão
  • Não garante uma renovação homogênea do ar em todos os cômodos

Por essas razões, para conseguir e manter uma umidade relativa ideal, é necessário implementar sistemas mais eficientes e controláveis.

Sistemas inteligentes de ventilação e sua influência na umidade relativa ideal

A ventilação está estreitamente relacionada com o nível de umidade dentro de casa, o que repercute no consumo de energia necessário para manter um ambiente confortável e saudável nos diferentes cômodos do lar.

Instalar um sistema inteligente de ventilação ajuda a evitar concentrações elevadas de umidade graças à sua extração de zonas úmidas como banheiros ou cozinha, mantendo assim o ar interior dentro de níveis adequados de umidade.

Uma ventilação insuficiente pode trazer problemas de saúde para os habitantes desse espaço, pois pode levar a porcentagens elevadas de umidade e favorecer a concentração de diferentes elementos poluentes. Por exemplo, uma alta porcentagem de umidade provoca um aumento da presença de mofo, o que aumenta consideravelmente o risco de infecções respiratórias.

Vantagens de instalar um sistema inteligente de ventilação

Os principais benefícios de instalar um sistema inteligente de ventilação são:

  • Economia energética: Redução significativa nos custos de climatização
  • Menor demanda energética do lar graças à recuperação de calor
  • Melhora dos níveis de conforto térmico durante todo o ano
  • Controle efetivo da qualidade do ar interior por meio de sensores
  • Manutenção automática de níveis de umidade ideais
  • Prevenção de problemas de saúde relacionados à umidade inadequada
  • Proteção da estrutura e elementos da moradia contra condensações

A Demanda Controlada de Ventilação (DCV) controla de forma automática a quantidade e qualidade do ar do interior da moradia. Esses sistemas introduzem um volume de ar variável no edifício, o que permite maximizar o conforto da casa, ao mesmo tempo em que se faz um uso da energia mais eficiente. Isso se traduz em que a Demanda Controlada de Ventilação representa uma economia energética média de 40%.

Esses sistemas constituem a melhor solução técnica atual para garantir uma ventilação correta e evitar muitos problemas vinculados à má qualidade do ar, como a proliferação de bactérias, ácaros da poeira, fungos e umidades.

Os requisitos do RITE são determinantes na regulação da umidade ideal de uma casa e da salubridade em geral. Isso ocorre porque não levam em conta apenas a sensação de conforto dos usuários e habitantes, mas também zelam pela saúde deles: o dado de umidade relativa máxima anteriormente citado de 60% é o máximo a que se deveria chegar se quisermos evitar condensações que levam ao aparecimento de mofo e microrganismos prejudiciais à saúde.

Ventilação em escolas: como impacta a qualidade do ar nas escolas?

A falta de ventilação nas escolas e, consequentemente, a má qualidade do ar dentro da sala de aula pode impactar o desempenho escolar dos alunos? Alguns estudos parecem confirmar que sim, que para além dos problemas de saúde e contágios, a qualidade do ar pode ter um impacto significativo na concentração, produtividade e desempenho académico dos estudantes.

Neste artigo, explicamos como a QAI (qualidade do ar interior) e a concentração de altos níveis de CO₂ afetam os estudantes, e quais são as recomendações oficiais. Também abordaremos as vantagens de uma boa ventilação e quais são as opções para melhorá-la.

Relação entre ventilação nas escolas e desempenho escolar

De acordo com um estudo da Universidade de Harvard, a concentração de gases de CO₂ acima de 1000 ppm (partes por milhão) na sala de aula pode fazer com que os estudantes se sintam sonolentos e experimentem efeitos secundários como falta de concentração, aumento do ritmo cardíaco e até náuseas.

Por outro lado, a falta de uma ventilação correta pode aumentar a temperatura e a humidade dentro da sala de aula, e isso, por sua vez, pode afetar a atenção e gerar alunos com baixo rendimento.

No estudo, os investigadores de Harvard e UCLA concluíram que temperaturas elevadas dentro da sala de aula, bem como o simples aumento de 1,8 ºC, podem reduzir o rendimento da aprendizagem em 1%.

E quanto mais elevada a temperatura, mais o rendimento dos alunos decai, podendo chegar a afetar as habilidades motoras e a capacidade de raciocínio. Algo semelhante também pode ocorrer quando as temperaturas descem além do normal.

Quanto à humidade interior, os investigadores verificaram que, com um nível de humidade inferior ou superior ao habitual (40%), os alunos começavam a sentir-se desconfortáveis e distraídos.

No experimento, compararam-se duas salas de aula. Na primeira, a humidade era aumentada e reduzida em 20%, enquanto na segunda, mantinha-se estável. Os resultados foram claros: a fadiga nos alunos que permaneceram na sala de aula onde o grau de humidade era estável reduziu-se em 23% e o grau de distração diminuiu 61%.

Como deve ser o sistema de ventilação para uma sala de aula?

Como verificamos, a ventilação nas escolas e, consequentemente, a qualidade do ar interior, tem um impacto significativo no desempenho dos estudantes. Além disso, não se deve esquecer que a ventilação das salas de aula é fundamental para prevenir a transmissão de doenças respiratórias ou o aparecimento de problemas respiratórios como a asma.

Apesar de todos os efeitos contrários que um mau sistema de ventilação pode provocar em centros educativos, tanto a nível académico como de saúde, a maioria deles não lhe presta a atenção suficiente. E embora sejam estabelecidas algumas diretrizes relativamente à limpeza e ventilação natural, a solução pode ser insuficiente.

Grande parte das escolas não dispõe de um sistema de ventilação mecânica adequado ou simplesmente não cumpre as normas de qualidade do ar interior. Isto pode dever-se à falta de recursos, à falta de consciência sobre a importância da qualidade do ar ou a uma combinação de ambos.

Que opções existem para melhorar a ventilação nas escolas?

Diante das dificuldades que uma ventilação incorreta nas escolas pode representar para os alunos, bem como a ineficácia das medidas de ventilação natural em certas épocas do ano, a instalação de um sistema de ventilação mecânica apresenta-se como a melhor opção em todos os níveis.

Entre as múltiplas opções disponíveis, a que demonstrou oferecer os melhores resultados é a ventilação mecânica de duplo fluxo com recuperação de calor. Este sistema incorpora um permutador de calor que permite conservar a temperatura interior enquanto o ar é renovado, o que é especialmente útil em climas frios ou muito quentes.

Além disso, estes sistemas costumam incorporar filtros que melhoram a qualidade do ar, bem como sensores que monitorizam os níveis de CO₂ e ajustam automaticamente o fluxo de ar, o que é muito conveniente em zonas quentes e secas onde ocorrem fenómenos meteorológicos como a calima. Embora existam outras soluções mais económicas, a instalação de um sistema deste tipo é a melhor opção a longo prazo, pois oferece um equilíbrio ótimo entre eficiência energética e qualidade do ar.

Dentro dos sistemas de ventilação mecânica, poderá ser selecionado um sistema centralizado ou descentralizado em função do orçamento, prazo e tipo de obra ou reforma que possa ser realizada no centro.

CURVAS DE DESEMPENHO DE UM VENTILADOR

Uma vez que cada tipo e tamanho de ventilador tem características diferentes, curvas de desempenho dos ventiladores devem ser desenvolvidas por seus fabricantes.

Uma curva de desempenho de um ventilador é uma representação gráfica de seu desempenho. Esta curva normalmente cobre todo o intervalo desde a descarga livre (sem obstruções ao fluxo) até vazão zero (um sistema totalmente vedado sem nenhum fluxo de ar).

Uma ou mais das seguintes características podem ser representadas graficamente em função da vazão (Q).

A densidade do gás (r), o tamanho do ventilador e a rotação (N) são geralmente constantes durante toda a curva e devem ser expressados.

Uma curva típica de desempenho de um ventilador encontra-se na Fig. 1.

CURVA DE RESISTÊNCIA DO SISTEMA

A resistência do sistema é a soma total de todas as perdas de pressão através dos filtros, serpentinas, dampers e dutos. A curva de resistência do sistema (Fig. 2) é simplesmente uma representação gráfica da pressão exigida para mover o ar pelo sistema.

Para sistemas fixos, ou seja, sem nenhuma alteração nas regulagens dos dampers, etc., a resistência do sistema varia conforme o quadrado do volume de ar (Q). A curva de resistência para qualquer sistema é representada por uma curva simples. Por exemplo, considere um sistema trabalhando com 1.000 m3/h com uma resistência total de 100 Pa.

Se Q for duplicado, a resistência aumentará para 400 Pa, conforme mostrado pelo quadrado do valor da razão dada na Fig. 2. Esta curva modifica-se, no entanto, a medida em que os filtros sobrecarregam-se de sujeira, as serpentinas começam a condensar umidade, ou quando os dampers de saída têm a sua posição alterada.

Ponto de Operação
O ponto de operação (Fig.3) no qual o ventilador e o sistema irão funcionar é determinado pela intersecção da curva de resistência do sistema e a curva de desempenho do ventilador. Observe que todo ventilador opera apenas ao longo da sua curva de desempenho. Se a resistência do sistema projetada não for a mesma que a resistência no sistema instalado, o ponto de operação irá mudar e os valores de pressão estática e vazão não serão iguais ao calculado.

Observe na Fig. 4 que o sistema real tem uma perda de pressão maior do que a prevista no projeto. Portanto, o volume de ar é reduzido e a pressão estática é aumentada.

O formato da curva de potência resultaria tipicamente em uma redução da potência absorvida. Tipicamente, a RPM seria então aumentada e mais potência seria necessária para atingir a vazão desejada. Em muitos casos onde há uma diferença entre a capacidade do ventilador calculada e a real, isto deve-se a uma mudança na resistência do sistema, e não a falhas do ventilador ou do motor. Freqüentemente erra-se ao tomar a leitura da pressão estática do ventilador e concluir que, se estiver abaixo ou acima das exigências do projeto, a vazão também está abaixo ou acima das exigências do projeto. A Fig. 4 mostra porque esta conclusão é completamente inválida.

INSTABILIDADE DO SISTEMA,
INSTABILIDADE DO VENTILADOR E PARALELISMO

Os três principais motivos para um fluxo de ar instável em um sistema de ventilação são (1)
Instabilidade do Sistema, (2) Instabilidade do Ventilador e (3) Paralelismo.

Instabilidade do Sistema

A instabilidade do sistema ocorre quando as curvasda resistência do sistema e do desempenho do ventilador não se cruzam num ponto único, mas, ao contrário, sobre um intervalo de vazões e pressões.
Esta situação não ocorre com ventiladores com pás voltadas para trás (Limit load), aerofólio e radiais.
Entretanto, esta situação pode ocorrer com um ventilador centrífugo com pás curvadas para a frente
(Sirocco) quando estiver operando conformerepresentado na Fig. 1.

Nesta situação, uma vez que a curva do ventilador e acurva do sistema estão quase paralelas, o ponto de operação pode estar num intervalo de vazões e pressões estáticas. Isto resultará em uma operação
instável conhecida como instabilidade do sistema, pulsação ou bombeamento.
A instabilidade do sistema não deve ser confundida com “paralelismo”, o que somente pode ocorrer
quando dois ventiladores forem instalados em paralelo.

Instabilidade do Ventilador

A instabilidade do ventilador é diferente da instabilidade do sistema; elas podem ou não ocorrer ao mesmo tempo (Fig. 2).

Explicação da Instabilidade do Ventilador

Para qualquer ventilador, o ponto de pressão mínima ocorre no centro de rotação do rotor e a pressão máxima ocorre na descarga do rotor. Se o rotor não estivesse girando e esta pressão diferencial existisse, o fluxo seria do ponto de mais alta pressão até o ponto de mais baixa pressão. Isto é o oposto da direção que o ar normalmente flui pelo ventilador. A única coisa que mantém o ar movendo-se na direção apropriada é o giro das pás.

Uma perda de sustentação aerodinâmica (stall) ocorrerá, a menos que haja ar suficiente entrando no rotor do ventilador para preencher completamente o espaço entre as pás.

Isto aparece na Fig. 3 como flutuação no volume de ar e na pressão. Esta instabilidade pode ser ouvida e sentida, e ocorre em quase todos os tipos de ventiladores, em maior ou menor grau, quando a pressão estática máxima (vazão nula) for atingida. O ventilador de pás radiais é uma exceção notável. Enquanto a magnitude da instabilidade varia para tipos diferentes de ventiladores, (sendo maior para ventilador de aerofólio e menor para ventilador de pás curvadas para frente), a flutuação da pressão próxima à máxima (vazão nula) poderá ser na ordem de 10%.

Por exemplo, um ventilador com instabilidade, desenvolvendo cerca de 600 Pa de pressão estática total poderá ter flutuação de pressão de 60 Pa. Isto explica porque um ventilador grande com instabilidade é intolerável. As paredes da sala do equipamento podem chegar a partir-se com a vibração dos dutos conectados a um ventilador com instabilidade.

A seleção do ponto de operação não deve ser feita à esquerda do “ponto de instabilidade” na curva do ventilador.
Este ponto, o qual define uma curva de sistema quando todas as velocidades do ventilador são consideradas, varia para diferentes instalações do ventilador. Por exemplo, uma operação estável pode ser obtida muito além à esquerda da curva quando o ventilador é instalado em uma situação ideal
de laboratório. Obviamente, estas condições são raramente encontradas em aplicações de campo. Conseqüentemente, a maioria dos fabricantes não catalogam intervalos de operação ao longo de toda a curva até a linha de instabilidade.
Entretanto, uma vez que o ponto de corte da curva do catálogo é basicamente um julgamento de engenharia, dados do desempenho de catálogo conservativos fornecerão intervalos de operação, os quais permitirão uma operação estável, com qualquer projeto de sistema de dutos razoável, no funcionamento em campo.

Paralelismo

A terceira causa para uma operação instável é o paralelismo, (Fig. 4), que pode ocorrer apenas em uma instalação com múltiplos ventiladores conectada ou com uma aspiração comum ou com uma descarga comum, ou ambas no mesmo sistema, particularmente quando um grande volume de ar deve ser movido. Neste caso, a curva combinada de vazão-pressão é obtida acrescentando-se a capacidade de
fluxo de ar de cada ventilador à mesma pressão. (Fig. 5).

O desempenho total de múltiplos ventiladores será menor que a soma teórica se as condições de aspiração forem restritas ou o fluxo de ar na aspiração não for uniforme em linha reta (não turbulento).

Alguns ventiladores possuem um aclive “positivo” na curva pressão-volume de ar à esquerda do ponto do pico de pressão. Se os ventiladores operando em paralelo forem selecionados na região deste aclive “positivo”, isso poderá resultar em uma operação instável .

A curva fechada em loop à esquerda do ponto de pico de pressão é o resultado da plotagem de todas as combinações possíveis do volume de ar em cada pressão. Se a curva do sistema interseccionar a curva combinada de volume de vazão na área compreendida pelo loop, é possível haver mais de um ponto de operação. Isto pode fazer com que um dos ventiladores utilize mais ar e pode causar uma sobrecarga do motor se os ventiladores forem acionados individualmente. Esta condição desequilibrada de fluxo tende a se reverter alternadamente, e o resultado é que os ventiladores irão carregar-se e descarregar-se intermitentemente. Esta “pulsação” freqüentemente gera ruído e vibração e pode causar dano aos ventiladores, ao funcionamento do sistema de dutos ou aos motores.

Isto requer a instalação de dampers de vazão na voluta (Fig. 6). Eles servem para mudar o formato da voluta do ventilador e, portanto, para cada posição do damper, há uma curva de desempenho diferente correspondente.

A curva do ventilador resultante de várias posições dos dampers de vazão encontra-se representada na Fig. 6. O objetivo é mudar a curva suficientemente de modo que o conjunto forneça uma operação estável. Sendo o desempenho levemente reduzido, o aumento correspondente em RPM deve ser tal a atingir as condições especificadas. Entretanto, isso raramente é feito, uma vez que a diferença é tipicamente negligenciável.

(Ver Fig. 5, pág. 4) Para corrigir o problema, o damper de volume da voluta é meramente empurrado para baixo em ambos os ventiladores até que a pressão estática e a pulsação do nível de ruído desapareçam.

Geralmente, são deixados nesta posição permanentemente. A curva gerada pelo damper neste ponto tem um formato tal que a soma das curvas de desempenho interseccione a curva do sistema em apenas um ponto.

Os ventiladores operados em paralelo devem ser do mesmo tipo, tamanho e velocidade de rotação. Caso contrário, poderão resultar complicações indesejáveis de desempenho. É altamente indicado que as recomendações do fabricante do ventilador sejam seguidas ao considerar-se o uso de ventiladores em paralelo.

O uso dos ventiladores axiais em paralelo apresenta problema potencial de ruído a menos que medidas especiais sejam tomadas no momento do projeto; o acréscimo de controle de ruído normalmente não é possível.

Um problema de ruído freqüentemente encontrado em ventiladores operando em paralelo é o batimento. Isso é causado por uma leve diferença na velocidade de rotação de dois ventiladores teoricamente idênticos. O ruído de batimento de baixa freqüência resultante pode ser muito desagradável e difícil de ser eliminado. O problema pode ser comparado ao efeito estroboscópico de uma lâmpada fluorescente iluminando um rotor com uma leve diferença entre as freqüências de rotação do rotor e o fornecimento energia da lâmpada.

O que é a qualidade do ar e por que é tão importante?

O ar é essencial para a existência dos seres vivos. O ser humano também exige condições que garantam higiene e conforto adicional. O ar externo é composto principalmente por dois elementos, Oxigênio e Nitrogênio, e outros gases cujas proporções estão na Tabela 1. Se esses gases não ultrapassarem os valores da Tabela 2, pode ser considerado ar “limpo”. Infelizmente os valores disparam, principalmente nas grandes cidades, levando a um ar “poluído”, como aparece na segunda coluna da mesma tabela.

Como se sabe, ventilar significa substituir uma parcela do ar interior considerada indesejável pela sua pureza, temperatura, humidade, odor, etc., por outro ar exterior com melhores condições. Mas se o ar exterior estiver contaminado, será necessário purificá-lo para reter os elementos contaminantes, como mostra esquematicamente a Figura 3.

Com a crise do petróleo em 1973, todos os países industrializados estabeleceram normas para conter o consumo de energia, especialmente aquecimento e refrigeração. O poder isolante das paredes e telhados foi aumentado e os fechamentos de portas e janelas foram melhorados para evitar perdas por convecção. Em suma, surgiram edifícios herméticos, equipados com sistemas de ventilação mecânica. Mas, para contribuir para a poupança de energia, parte do fluxo de ar extraído foi reciclado em percentagens crescentes até atingir limites exagerados. Além disso, se as instalações não forem limpas e desinfetadas regularmente, como é habitual, prolifera a propagação de contaminantes e microrganismos por todo o edifício. O sorridente leitor da Fig. 2, satisfeito por ter se isolado do exterior com uma janela hermética, impedindo a entrada de poluentes, poeira e ruído, logo começa a sofrer de alergias, irritações, ardor nos olhos e dores de cabeça.

O homem moderno passa mais de 80% do seu tempo em ambientes fechados e os fatores elencados têm consequências imediatas: as doenças alérgicas e pulmonares aumentam e a taxa de propagação de doenças infecciosas entre os usuários de um mesmo imóvel aumenta enormemente, principalmente se possuírem instalação de ar condicionado. Nos EUA, registaram-se 150 milhões de dias de absentismo por ano, enquanto a OMS estimou que 30% dos edifícios novos ou reabilitados sofrem deste defeito. Se o número de ocupantes afetados chegar a 20%, o imóvel é denominado Prédio Doente. Várias causas contribuem para isso, mas a ventilação insuficiente e inadequada tem sido apontada como a principal e indiscutível. Em 1968, 144 pessoas no Health Building em Pontiac, Michigan, EUA, contraíram uma doença com dores de cabeça, febre e dores musculares, que foi chamada de “febre de Pontiac”. Em 1976, num hotel da Filadélfia, durante uma convenção de ex-legionários, eles foram acometidos por uma bactéria, identificada como Legionella Pneumophila, cultivada e disseminada pelo ar condicionado, que levou 29 dos participantes ao túmulo. Atualmente, essa bactéria, pelos mesmos motivos, ataca anualmente de 25 a 45 mil pessoas, somente nos Estados Unidos.

Mas, além dos problemas de saúde que um sistema de ar condicionado com má manutenção, má limpeza e falta de ar primário pode causar, múltiplas causas contribuem para a contaminação do ar no interior do edifício. No passado, considerava-se que apenas o ser humano, com a expulsão do dióxido de carbono da sua respiração e a libertação do odor corporal, era responsável pela deterioração da qualidade do ar. Hoje sabe-se que os componentes orgânicos voláteis libertados pelos móveis, tintas, adesivos, vernizes, combustíveis, materiais de higiene pessoal e de limpeza doméstica contaminam significativamente o ar interior: insecticidas, rodenticidas, combustão directa no interior da sala, aerossóis, detergentes, limpeza a seco roupas que são arejadas em casa, tapetes, parquets e, principalmente, fumo de tabaco e, também, ambientadores com os quais queremos disfarçar o ambiente abafado. Um grupo muito importante de poluentes são os materiais de construção, entre os quais se destaca o formaldeído proveniente de aglomerados de madeira colados com resinas e alguns isolantes. E em certas áreas há rádon, que é particularmente perigoso. É um gás de origem natural que ameaça o câncer de pulmão e é liberado do rádio contido em alguns materiais como granito, pedra-pomes e rochas fosfáticas, além de águas profundas de poços. Nas residências aparece nos porões e nas Figs. 4 e 5 descrevem sua presença e a forma de controlá-la com ações adequadas e, principalmente, ventilação eficiente.

Diversas regulamentações estabeleceram que a ventilação necessária para proporcionar um ambiente higiênico aos ocupantes de um espaço fechado é da ordem de 7,5 litros por segundo por pessoa, pelo menos. Dependendo da função do local, considerado sala de fumadores, enfermarias, bares, etc., este valor aumenta até atingir mais do dobro ou triplo. Mas como tais fluxos entram em conflito com a poupança de energia, especialmente de aquecimento, são reduzidos, caindo no extremo oposto. A partir de uma pesquisa realizada em 350 edifícios e as causas das reclamações sobre a qualidade do ar interior estão reproduzidas na Tabela 3. Destaca a grande importância de uma ventilação suficiente mas também que existem outras causas que motivam desconfortos e indisposições.

Considerando a influência dos poluentes internos das instalações, percebe-se que são muito variados e que o ideal seria identificá-los previamente e descobrir as suas fontes de emissão. Atualmente fala-se em edifícios construídos com materiais de baixa emissão e há laboratórios que trabalham no assunto. Unidades foram estabelecidas para medir a qualidade do ar interno. O professor P. Ole Fanger, da Universidade Técnica da Dinamarca, define OLF como a poluição produzida por uma pessoa, que exerce um trabalho sedentário e uma higiene normal, tomando banho todos os dias e meio. Um móvel, uma mesa de escritório com seus papéis e utensílios, equivale a 2 Olfos e uma estante média, com livros, plantas e objetos de decoração, polui como 3 Olfos.

Em geral, os materiais de escritório emitem até 0,5 Olfs por metro quadrado. Uma pessoa ativa chega a 6 Olfs, um fumante contínuo pode chegar a 25 Olfs e um atleta 30 Olfs. DECIPOL é a percepção combinada através do nariz e dos olhos do sentido químico do ambiente, com sua carga de diferentes odores e elementos irritantes contidos no ar. A unidade é definida como a percepção de um Olf diluído por um fluxo de ar puro de 10 l/s.

A insatisfação causada por um Olf em função do coeficiente de ventilação, expressa por um grupo de pessoas que classifica o ambiente de um local como inaceitável no momento de adentrá-lo, está traçada na Figura 8. A relação entre os decípolos que reinam em um local e o número de pessoas insatisfeitas que sofrem com isso está representado na Figura 9. Um decipol insatisfaz 15% das pessoas investigadas e para chegar a 50% de insatisfeitos a poluição deve atingir 6 decípulos.

De acordo com isso, também foi estabelecido que um ambiente pode ser classificado com base nos decípolos. Prédios a partir de 10 decípolos são classificados como afetados pela Síndrome do Edifício Doente.

E, usando os Olfs e os Decípolos como unidades de poluição do ar, pode-se determinar a ventilação necessária da sala: Onde Q é o fluxo de ar exterior, G é a poluição interior e Ci, Co é a percepção interior e exterior das instalações consideradas. Esta fórmula é dada como uma indicação de como as unidades definidas são utilizadas para determinar uma vazão de ventilação necessária, mas nota-se que seu uso é muito problemático devido à dificuldade de avaliação dos termos C. Fanger dá valores com base na emissão dos materiais, mas os resultados têm sido questionados por serem muito elevados e envolverem custos energéticos consideráveis. A regulamentação atual estabelece valores para grandes espaços que variam de 0,4 a 1,5 l/s m² ocupados por não fumantes e de 1,7 a 5 l/s m² para fumantes, valores bem abaixo dos obtidos pela fórmula indicada.

Resumo

A Síndrome dos Edifícios Doentes é um fenômeno complexo em que a má ventilação se destaca como um importante fator de risco. O projeto dos sistemas de ventilação e ar condicionado deve levar em consideração a facilidade de limpeza e desinfecção regular dos equipamentos e dutos. Não é só o homem que polui o ar interior. Materiais de construção, móveis, tapetes, carpetes e revestimentos de parede, bem como utensílios e produtos domésticos produzem eflúvios poluentes. O fumo do tabaco, o radão, os COV, o dióxido de carbono e as partículas sólidas em suspensão destacam-se pela sua importância. Materiais de baixa emissão devem ser escolhidos nos projetos. A qualidade do ar exterior influencia significativamente a qualidade do ar interior. Se necessário, deve ser purificado nas entradas de ar. Duas novas unidades estão sendo propostas para medir a qualidade do ar: o OLF e o DECIPOL.

Como ventilar meu apartamento?

O motivo de ventilar o seu apartamento deve-se à necessidade de eliminar os contaminantes presentes no ar; como CO₂ emitido ao expirar, poeira, vapores nocivos (produtos de cozimento de alimentos, armazenamento de produtos químicos ou qualquer outra fonte similar), vapor de água entre outros, como vírus e bactérias transportados pelo ar.O que é considerado ar de boa qualidade e como pode ser medido?

Ao contemplar a ventilação em apartamentos, este é considerado um espaço puramente residencial normalmente ocupado e, portanto, deve estar em conformidade com os regulamentos ASHRAE 62.1. 2010. Esta norma lista diferentes usos para espaços comumente habitados, bem como métodos de cálculo e dimensionamento dos volumes de ar a circular no espaço.

O que é considerado ar de boa qualidade e como pode ser medido?

De acordo com a norma Ashrae 62.1 – 2010, uma Qualidade do Ar Interior (IAQ) aceitável é aquela em que a concentração de poluentes considerados nocivos por uma autoridade local sobre o assunto, não ultrapasse os limites em que começa a ser prejudicial à saúde e mais de 80% das pessoas expostas, não apresentam incômodo ou desconforto antes da referida concentração.   O contaminante mais comum presente neste tipo de espaço é o CO₂ em que seu efeito na saúde depende da concentração; conforme indicado pela ANSI/ASHRAE 62.1-2010 Ventilação para Qualidade do Ar Interior Aceitável e mostrado abaixo1:

– 400 ppm: Concentração média no ar exterior

– 400-1000 ppm: Concentração típica em espaços ocupados com boa ventilação

– 1000-2000 ppm: tonturas e mal-estar

– 2000-5000 ppm: Dor de cabeça, sonolência, perda de atenção, aumento da frequência cardíaca e pode causar náuseas.

Níveis acima de 5.000 ppm são tóxicos e podem levar à morte.

Outro fator que deve ser levado em consideração é o tempo de exposição, pois uma concentração baixa por tempo prolongado pode ter o mesmo efeito que uma concentração mais alta por um tempo menor (para mais informações sobre os níveis nocivos dos diferentes agentes contaminantes, ver Tabela B – 1 ASHRAE 62.1 – 2010).

Da mesma forma, alguns contaminantes que também são predominantes nos ambientes internos dos apartamentos são vírus e bactérias. Onde, se uma pessoa infectada emite aerossóis que permanecem em estado de suspensão, as chances de contágio são maiores quanto menos trocas de ar de hora em hora forem feitas. A fim de mitigar o contágio, a Norma ANSI/ASHRAE 62.1-2010 Ventilação para Qualidade do Ar Interior Aceitável recomenda ter mais de 6 trocas de ar por hora2. Recomenda-se exceder 6 trocas de ar sem afetar drasticamente o conforto térmico dos ocupantes.

1. Dióxido de carbono. (2018, 2 de janeiro). Recuperado em 23 de março de 2022, do site do Departamento de Serviços de Saúde de Wisconsin: https://www.dhs.wisconsin.gov/chemical/carbondioxide.htm 2. Allen, J. G., & Ibrahim, A. M. (2021). Mudanças no ar interno e implicações potenciais para a transmissão de SARS-CoV-2. JAMA, 325(20), 2112.

https://doi.org/10.1001/jama.2021.5053

3. Norma ANSI/ASHRAE 62.1-2010 Ventilação para Qualidade do Ar Interior Aceitável.Out.2013, ISSN 1041-2336. Por outro lado, a maneira mais direta pela qual uma medição precisa pode ser feita é por meio de sensores dedicados a detectar a concentração do poluente específico. Esses sensores devem possuir algum tipo de sinal auditivo, visual ou elétrico que alerte ou emita algum tipo de informação que permita que alguma ação seja tomada a fim de reduzir a concentração do poluente no espaço.

Como é dimensionado o fluxo de ar necessário para o espaço?

Para determinar a vazão necessária para uma qualidade de ar interna aceitável, o padrão 62.1 possui 3 procedimentos: Procedimento de Taxa de Ventilação: O fluxo é determinado com base na seção 6.2 que determina um fluxo com base no tipo de espaço a ser ventilado. Para este caso, os valores de referência podem ser retirados das seguintes tipologias mostradas na tabela.

Tabela 1 (Tabela 6-1 Ashrae 62.1 – 2010.) A ocupação residencial é de 2 pessoas para estúdio, estúdio ou espaço individual, e 1 pessoa é adicionada para cada quarto extra no apartamento.

Procedimento de qualidade do ar interno (IAQ): Parte de uma análise de contaminantes, área respirável e ar externo necessário de acordo com a seção 6.3. Procedimento para ventilação natural: Com base na arquitetura dos espaços e sua área para dimensionar as aberturas necessárias, sejam operáveis ​​ou fixas. Qualquer espaço que não cumpra as distâncias máximas desde a abertura até ao ponto mais afastado do espaço de acordo com o ponto 6.4.1 deve ser complementado com ventilação mecânica utilizando um dos dois métodos mencionados acima. O tamanho dessas aberturas deve ser de no mínimo 4% do espaço de ocupação da rede. (Para calcular essas aberturas, deve-se levar em consideração a área efetiva de cada tipo de abertura, seja ela grades fixas, janelas operáveis ​​ou porta de correr.)

No caso da ventilação mecânica, deve-se sempre considerar a qualidade do ar externo, pois, caso haja necessidade de tratamento, deve-se descartar a ventilação natural e optar-se pela injeção de ar filtrado para evitar a entrada de ar viciado no ambiente. espaço.

No caso de banheiros, em que é necessário controlar os maus odores e a umidade. De acordo com Ashrae 62.1-2010 Tabela 6-4, a taxa de extração para banheiros privativos é de 50 Cfm por unidade para controle de odor, para atender a essa meta, o tempo de operação deve ser o tempo que o espaço estiver ocupado e pelo menos 5 min após o término de seu uso, para permitir a extração do restante dos possíveis odores que possam permanecer após o uso. Para atacar o problema da umidade, é útil que o exaustor tenha um sensor de umidade que, em conjunto com o timer, permita que o equipamento controle a qualidade do ar, evitando o crescimento de fungos e mofo no ambiente.

Em conclusão, para evitar problemas de saúde por parte dos ocupantes, contribuir para o conforto térmico e obter uma boa qualidade do ar interior. Deve ser assegurada uma boa ventilação do espaço, evitando altas concentrações de poluentes e odores. Tendo em conta que onde é arquitetonicamente possível ventilar naturalmente, esta solução deve ser escolhida. Norma ANSI/ASHRAE 62.1-2010 Ventilação para Qualidade de Ar Interior Aceitável.Out.2013, ISSN 1041-2336.

Índices de qualidade do ar na América Latina: em quais regiões você respira melhor?

Por muito tempo, a poluição do ar exterior foi considerada como um dos grandes problemas do planeta, e sua melhoria tornou-se um dos principais objetivos de organizações internacionais, como a OMS, a ONU, etc.

Qualidade do Ar

De fato, a origem de todas as políticas de economia de energia que são realizadas é a redução de poluentes gerados tanto na geração quanto no uso de fontes de energia.

Os principais poluentes encontrados no ar exterior seriam: partículas primárias, NOx, SO2, NH3, VOC… que por sua vez seriam os precursores gasosos de partículas secundárias através de processos químicos ou reações em fase líquida.

Poluição por partículas

Neste artigo vamos nos concentrar na contaminação por partículas, especificamente aquelas com tamanhos < 2,5 µm mícrons. Devido ao seu pequeno tamanho, eles têm a capacidade de acessar os alvéolos pulmonares, podendo gerar efeitos muito nocivos à saúde.

Os principais problemas de saúde causados ​​pela exposição prolongada são:

  • -Irritação do trato respiratório e pulmões.
  • Arritmias, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral.
  • Aumento da incidência de câncer.
  • Partos prematuros.

Em geral, uma redução na expectativa de vida.

Relatório Mundial da Qualidade do Ar

Todos os anos, um estudo detalhado da concentração de partículas de PM 2,5 em escala global é realizado pela empresa suíça IQAIR, com base em diferentes organizações internacionais e nos dados coletados por cada um dos países.

Todos os anos, desde 2017, é publicado o RELATÓRIO MUNDIAL DA QUALIDADE DO AR, onde é analisada a situação de cada um dos 117 países que colaboram no estudo e que cumprem os requisitos exigidos, gerando um ranking de poluição por país.

Os resultados dependem muito das ações de cada um dos países, por isso em algumas áreas (EUA, EUROPA e China fundamentalmente) a quantidade de dados nos permite ter informações bastante precisas, enquanto em outras áreas essa informação é limitada ou mesmo inexistente.

Poluição na América Latina

De acordo com o estudo, na América Central e do Sul, as informações coletadas são muito diferentes dependendo do país: Chile, Peru e México possuem uma importante rede de coleta de informações; enquanto outros como Brasil, Argentina ou Colômbia, entre outros, seriam mais limitados.

Por exemplo, podemos exibir os valores das estações que fornecem dados em 24/05/22 às 15:00 GMT.

No ranking por país, em 2021 a América Latina está na zona intermediária, considerando os 117 países incluídos neste estudo. Os 10 mais poluídos são apresentados:

Concentração de Partículas
Ranking de Países Poluídos

Deve-se notar que a OMS recomenda valores inferiores a 10 μm/m3

As medidas a implementar para melhorar a situação nas zonas de elevada concentração são, de uma forma geral:

  • Redução do uso de combustíveis fósseis, promovendo o investimento em energias renováveis.
  • Promover o transporte público.
  • Criação de políticas de manutenção florestal, de forma a reduzir os incêndios.

A poluição do ar exterior é um dos grandes problemas que a sociedade enfrenta, pois é um dos aspectos mais nocivos para a saúde.

O material particulado presente no ar, especialmente a concentração de PM2,5, é um dos valores que melhor reflete a qualidade do ar, e por esta razão, dentro dos diferentes estudos, destacamos o WORLD AIR QUALITY REPORT by IQAir.

Sendo as cidades da Índia, Paquistão e China as de maior concentração, a América Latina está situada no meio do ranking mundial.

O objetivo geral global que devemos estabelecer é a redução da emissão de gases e partículas para atingir os objetivos estabelecidos pela OMS.

Cálculo de dutos de ventilação: conceitos básicos e métodos

Os Dutos de ventilação, utilizados em sistemas de tipo industrial e em edifícios, destinam-se a conduzir o ar de exaustão ou ventilação para o interior do edifício. Em seu cálculo e projeto deve-se atentar tanto para garantir a adequada contribuição de vazão, quanto para outros critérios (minimizar o consumo de energia nos ventiladores ou minimizar ruídos que possam causar transtornos aos usuários).

Os métodos de cálculo de dutos são diversos e diferem fundamentalmente nas suposições que usam e se podem ser considerados métodos exatos ou aproximados. À medida que um método de cálculo de dutos se torna mais exato, sua dificuldade de cálculo e aplicação aumenta. Deve-se sempre escolher o método de dimensionamento que garanta um bom cálculo sem exceder os recursos necessários.

As redes de dutos de ar podem ser classificadas, fundamentalmente, de acordo com a pressão e velocidade dos dutos. Dependendo da velocidade do ar, existem os seguintes tipos:

– Dutos de baixa velocidade (<12 m/s, entre 6 e 12 m/s).

– Dutos de alta velocidade (>12 m/s).

Para projetar um duto, devem ser levados em conta os três fundamentos básicos que influenciam o projeto e o objetivo almejado. A rede de condutas deve ser concebida de forma a que um determinado fluxo de ar seja conduzido a todos os pontos de impulsão ou de extração onde seja necessário. Os três conceitos fundamentais que influenciam esse aspecto são:

– Propriedades do ar: Eles são dependentes da temperatura e da pressão, e as propriedades básicas usadas no projeto do duto são viscosidade e densidade.

– Diâmetro equivalente do duto: As condutas utilizadas podem ter diferentes secções, sendo as mais comuns as retangulares ou circulares. A maioria dos métodos de cálculo são baseados em dutos circulares. O diâmetro equivalente é utilizado para calcular o duto, com secção circular, equivalente ao estudado.

– Perdas de carga: No duto, o fluído sofre uma perda de pressão devido ao atrito, também chamada de perda de carga. Essas perdas de carga são divididas em perdas no duto e perdas em singularidades, como cotovelos, mudanças de secção ou acessórios.

Métodos de cálculo mais comuns

Os métodos de cálculo mais comuns para calcular os dutos de ventilação são quatro:

– Método de redução de velocidade;

– Método de perda de carga constante;

– Método de recuperação estática;

– Método de velocidade constante.

Os mais utilizados são o método de perda de carga constante e o método de recuperação estática.

O método de redução de velocidade não é frequentemente usado, pois muitos cálculos são necessários para resolver o problema com precisão razoável.

O método de velocidade constante é utilizado exclusivamente em instalações industriais em que deve ser evitada a deposição do contaminante transportado no próprio duto, ou o próprio transporte de materiais já é necessário, apresentando o inconveniente de equilibrar a instalação.

Agora analisamos as principais características de cada método de cálculo:

  • Método de perda de carga constante

É usado em dutos de suprimento, retorno e extração de ar. Consiste em calcular os dutos para que tenham a mesma perda de carga por unidade de comprimento em todo o sistema.

O procedimento usual é escolher uma velocidade inicial com base na restrição do nível de ruído de acordo com o uso das instalações. Para determinar essa velocidade inicial, toma-se como ponto o cálculo do duto principal, que segue a impulsão da entrada de ar externa ou da unidade de tratamento de ar. A partir desta velocidade, e a partir do caudal total de ar a fornecer, calcula-se a queda de pressão unitária, que deve ser mantida constante em todas as condutas.

  • Método de recuperação estática

Consiste em dimensionar o duto de tal forma que o aumento da pressão estática em cada ramal ou saída de descarga compense as perdas por atrito na próxima secção do duto. Desta forma conseguimos que a pressão estática em cada boca e no início de cada ramo seja a mesma.

Para isso, é selecionada uma velocidade inicial para a descarga do ventilador e a primeira secção é dimensionada como no método de perda de carga constante. Em seguida, as demais secções são dimensionadas com os gráficos da razão L/Q. Esses gráficos de dimensionamento são uma função da forma do duto e da taxa de fluxo. Placas de recuperação estática de baixa velocidade também podem ser usadas.

Como critério geral, o método de perda de carga constante é usado para dutos de alimentação, retorno e ventilação de baixa velocidade, e o método de recuperação estática principalmente para dutos de alimentação de baixa e alta velocidade.